Talvez fossem sete da manhã, Amanda só precisava da oportunidade perfeita de se levantar e fugir Quando ele espreguiça-se mas não acordasse, ela aproveitaria do movimento e iria para casa. Não demorou dez minutos até acontecer.
Uma mulher adulta que ainda não sabia nada de nada, nem do futuro, presente. Há muito tempo que não tinha uma intuição ou sequer uma decisão. E desde o mês passado que teve noites casuais com o seu chefe, ou melhor ex chefe, já que decidiu não aparecer no trabalho desde a ultima quarta.
Depois que Amanda chegou em casa, as duas entreolharam-se.
- Ele outra vez? - perguntou Julieta.
- Ele outra vez. - respondeu em derrota. - A ultima vez.
E depois de ouvir. "Você quis e estava sóbria".
Por que ela sempre dizia se arrepender? E sempre voltar? Insegurança?
Amanda sempre foi muito bonita, difícil de qualquer um entender, e por intrigar tanto, interessava muito a qualquer homem que ela quisesse. E acabava com quem ela não queria.
Mas queria.
- Dessa vez você fugiu... - A amiga continuou enquanto fazia café. - Inédito.
- E de emprego, e de cidade amanhã - riu. Sabia que não era verdade.
As duas tomaram café e Amanda voltou a dormir. Até a campainha tocar.
Ela foi abrir de pijama.
- Fujona. - O homem sorriu.
"Porra" pensou, mas como muitas outras vezes sorriu.
- E o porteiro deixou você entrar?
- Depois de tantas vezes em que ele me viu entrar... - sorriu
Limitou-se a esboçar um sorriso diferente.
- Eu não quero entrar e vou direto ao assunto... - descruzou os braços e começou a gesticular como se explicasse alguma coisa a uma criança. - Eu não sou seu chefe pela enésima vez, o meu pai é. E mesmo assim, eu não quero que você trabalhe mais.
- Eu já não trabalho. - deu de ombros.
- Eu quero que você junte comigo. - sorriu fazendo uma espécie de sotaque. - porque eu nunca sei quando eu te encontro... Mas quando encontro, a gente sempre fica junto. E eu gosto de você.
Ela olhou para outra direção pensativa.
- Essa lugar que você mora é meio...
- É simpático! - sem olhar para ele.
- Mas eu sei que você está dura. Eu dou o que você quiser, mas fica comigo?
"Ficar como? Casar? Mas de jeito nenhum..."
Ela não pagava aluguel, não tinha mesmo um centavo. Deu de ombros e o convidou para entrar.
Mais tarde, ela aceitou a oferta, e foi morar com ele. Tudo se resolveu de repente para ela, sem casar e ainda sem ter que tomar algum tipo de decisão muito séria.
Até resolver fugir de novo.

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